Síndrome da pedrada. Você já ouviu falar sobre isso? Ou melhor, já sentiu isso? Talvez você não saiba o nome, mas pode ter sentido algo parecido em algum momento. Trata-se de um estiramento muscular, que o corredor sente como uma dor súbita na panturrilha, com grande intensidade e, em alguns casos, acompanhada de um estalido que pode ser ouvido. “O corredor leva um susto e acredita ter recebido uma pedrada na região da panturrilha”, explica o ortopedista Cristiano Laurino.
O profissional conta que os estiramentos musculares estão entre as lesões mais comuns nos membros inferiores e acontecem com mais frequência nos músculos posteriores da coxa e nos músculos da panturrilha. “O estiramento muscular é considerado uma lesão indireta caracterizada pelo alongamento das fibras além dos limites normais (fisiológicos)”, esclarece.
“Na panturrilha, os músculos gastrocnêmios medial e lateral, seguidos pelo sóleo são os mais envolvidos. Estes músculos realizam movimentos combinados de flexão do tornozelo, contribuem para o movimento de flexão do joelho e realizam a frenagem da extensão do tornozelo durante a corrida (contração excêntrica). A localização anatômica mais comum dos estiramentos musculares é a transição músculo-tendão do gastrocnêmio medial”, esclarece o ortopedista. Essa explicação tão técnica mostra a importância dos músculos em questão e, por este motivo, o estiramento pode afetar bastante seu treino. Ele resulta em tempo de afastamento significativo dos treinamentos, dor, limitação funcional e redução do rendimento esportivo.
“No atletismo, os tiros de corrida figuram entre as situações esportivas em que esta lesão mais acontece. Este fato pode ocorrer tanto durante a aceleração, quanto na desaceleração e geralmente ocorre durante as contrações musculares excêntricas, caracterizadas pelo alongamento gradativo das fibras musculares em decorrência do torque muscular ser de magnitude inferior à resistência imposta. A tensão gerada durante a contração excêntrica é muito maior do que na contração concêntrica, o que predispõe o músculo ao aparecimento de lesões”, analisa o Dr. Cristiano Laurino. Entre os fatores para os estiramentos estão: as deficiências de flexibilidade, os desequilíbrios de força entre músculos de ações opostas (agonistas e antagonistas), os distúrbios nutricionais, os distúrbios hormonais, as alterações anatômicas, as infecções e os fatores relacionados ao treinamento (incoordenação de movimentos, técnica incorreta, sobrecarga e fadiga muscular).
Mais uma vez o diagnóstico precoce e os tratamentos adequados são a chave para a recuperação melhor e mais rápida.
Você conhece o Dr. Cristiano Laurino? Ele é diretor científico do Comitê de Traumatologia Desportiva da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), diretor médico da Confederação Brasileira de Atletismo e médico ortopedista do Clube de Atletismo BM&F/BOVESPA.
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Escrito por Lara Martins, Nike Blogger
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