[Correspondente internacional] A emocionada Meia Maratona NYC de Guga Kamei

March 24, 2010

O último domingo (21 de março) foi agitado mundo afora. Além da Meia Maratona de Lisboa, também aconteceu a Meia Maratona de Nova York. O primeiro colocado masculino foi o queniano Peter Kamais (59m53s); entre as mulheres a britânica Mara Yamauchi chegou em primeiro (1h09m25s). Representando muito bem o Brasil, Marílson dos Santos ficou em nono lugar (1h02m57s).

Nós do NIKE CORRE também estivemos lá, representados pela corredora Guga Kamei, que foi a nossa correspondente internacional direto da cidade de Nova York.

A experiência para ela foi inesquecível. “Desde que comecei a correr, e lá se vão quase quatro anos, coloquei na cabeça que iria correr a Meia de NY, já que uma maratona (ainda) não está nos meus planos.”

Assim que chegou em Nova York, a Guga se mostrou controlada e resistiu às tentações tão típicas da cidade (deixou para depois da prova, na verdade): compras e junk food. Era hora de se concentrar e se preparar para a corrida. Só ficou difícil controlar o misto de sentimentos que tomou conta dela. “Sábado à tarde a ansiedade deu o ar da graça. Confesso que isso me pilhou um pouco. Mesmo sabendo que eu poderia fazer uma boa corrida, me vinha à mente alguns pensamentos "negativos": e se eu sentir alguma dor, se eu cair, tropeçar e não conseguir terminar, se eu não der conta?”, contou.


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Confira a emocionada Meia Maratona de Nova York de Guga Kamei.

“Acordei domingo de madrugada e lá fora estava um breu! E frio (8º, aproximadamente). Coloquei meu short (não consigo correr de calça) e camiseta, comi uma maçã e lá fui eu para o Central Park.

No caminho já comecei a ver o pessoal que ia correr também: sacolinha da corrida, chip no tênis, todo mundo indo na mesma direção. Fui me empolgando. A essa hora o dia já tinha clareado, o sol apareceu fraquinho, fraquinho. E o vento também. Deixei minhas coisas no guarda-volumes e fui pra largada. Um tantão de gente. Uns alongando, outros quietos esperando a largada, outros conversando, rindo, encontrando amigos que iam correr também. Tudo isso em várias línguas e várias nacionalidades. E o pessoal da prova superorientado, organizado, animado!

Parada e ansiosa, o vento parecia gelar ainda mais. E lá vinham os pensamentos de novo: e se eu tiver câimbra, se sentir fisgada na coxa, na panturrilha...? Uma voz de mulher começou a cantar o hino americano. E foi dada a largada. A essa hora não dava para pensar em mais nada. Era começar a correr e fazer o melhor que eu conseguisse.

E nada melhor do que um quilômetro atrás do outro pra começar a esquentar. Ufa, ainda bem que tava de shorts! A temperatura já batia entre 12º e 13º. E eu que pensava que o Central Park era um retão só, descobri que tem descidas e (muitas) subidas. Mesmo assim achava que tava indo bem. Quando eu corro eu não penso em nada, vou sentindo meu corpo, percebendo meus limites, esvaziando a mente. A marcação aqui é em milhas, então foquei no tempo e nem me dei ao trabalho de ficar convertendo. Só marcava quilômetro nos 5K, 10K, 15K e 20K. Fechei os 5K em aproximadamente 24m30s, os 10K em 50m e pouquinho. Tava dentro do esperado. Nos 15K fechei em 1h15m. Vi que ia dar pra baixar o meu melhor tempo em meia maratona, que era de 1h54m14s. Nos 18K, senti o cansaço bater, as pernas começaram a ficar pesadas, mas nem pensei em parar. Tive só que não forçar muito para acabar bem a corrida. Comecei a pensar no sonho virando realidade, nas pessoas que estavam torcendo por mim, no meu técnico me dando bronca se eu não concluísse ou fizesse um tempo ruim, no meu amor.

Quando me dei conta, vi a placa: faltavam 400m para acabar. Eu olhei pra chegada, que parecia meio longe ainda, e comecei a chorar. Chorei de alívio (deu tudo certo) e de felicidade por ter tornado meu sonho uma realidade. Ainda sob forte emoção fui pegar minha (merecida) medalha, tirei a fotinho de praxe e fui curtir meu momento. Sentei na calçada, no meio daquela multidão (depois descobri que eram mais de 12mil corredores), e comecei a relaxar. Sensação de dever cumprido. Fui e fiz o que tinha me proposto a fazer. E fiz melhor do que eu imaginava que pudesse fazer. Feliz da vida, agora com sorrisão no rosto, voltei para o hotel. Para um bom banho, almoção (agora posso experimentar qualquer coisa), descanso merecido e bater perna (se eu aguentar, claro).”


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Escrito por Lara Martins, Nike Blogger


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