Juliana Regina da Silva (a garota à direita na foto acima), de recém-completados 17 anos, treina todos os dias no projeto social Team Chicago e gostaria de ser jogadora de futebol profissional. Esse sonho se junta ao de milhões de jovens no Brasil. Mas “Ronaldinha”, como é conhecida, percorre o caminho das pedras com muita coragem, perseverança e alegria.
Moradora do bairro de Caramujo, em Niterói - RJ, ela leva duas horas para chegar ao campo onde o Team Chicago treina, localizado no bairro Campo dos Afonsos, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, e sempre chega com um sorriso rasgado quando se encontra com as cerca de 100 garotas da equipe.
No projeto social Team Chicago, além da ponte para se tornar jogadoras, elas encontram auxílio para se tornarem treinadoras, árbitras, administradoras, jornalistas e conquistarem bolsas de estudo no exterior.
Meses atrás, na última edição do Campeonato Mundial de Futebol Social, globalmente conhecido como Homeless World Cup - um torneio que promove a melhora da qualidade de vida de pessoas em situação de extrema exclusão por meio do esporte -, a “Ronaldinha” deu uma prova de superação e raça.
A atleta surpreendeu a comissão técnica da Seleção Brasileira do torneio social e jogou a final do campeonato com o tornozelo contundido. Ela queria participar, ajudar, batalhar, liderar e continuar ouvindo os gritos de incentivo da torcida de todos os países, que lotavam as arquibancadas montadas nas areias de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Numa partida anterior à finalíssima, a atleta marcou nada menos que oito gols, de todas as formas, e foi aplaudida de pé. “Não chutava com a esquerda. Até uma primeira vez que tentei e acertei o ângulo. Agora, passei a acreditar na esquerda e experimento mesmo”, disse na época.
Na torcida, outras tantas atletas e torcedoras reconheceram a entrega da equipe brasileira na luta pelo título e comemoraram a experiência de participar do torneio. A colombiana Ingrid Macana contava com brilho nos olhos: “é a primeira vez que entro no mar. Estamos aproveitando ao máximo”.
Do outro lado da arquibancada, a jogadora de Uganda Susan Lakica dizia “o futebol me dá coragem para fazer coisas que antes não acreditava”.
O futebol das mulheres arrancou aplausos de todos durante o torneio. Quem mais marcou gols em uma partida foi uma mulher. Quem mais trouxe alegria, cores e adereços foi a mulher. A “Ronaldinha” deve em pouco tempo ser inspiração para muita gente como Juliana Regina da Silva.