Grajaú, periferia sul da cidade de São Paulo. No meio do campo de terra, 20 e poucos garotos ouvem atentamente o técnico João Maia Silva, que intercala a sua rotina de treinador com dois trabalhos para se manter e ao sonho de deixar de pé o Aristocrata Futebol Clube, instituição que trabalha com quase 200 atletas (homens e mulheres), dos 6 aos 26 anos . “Sejam vocês mesmos, mostrem o que sabem, não precisam ficar nervosos”.
A preleção antecede mais uma visita da Nike a uma escola de futebol selecionada para participar da Nike Cup, torneio para jogadores de 16 a 20 anos, que será disputado em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em cada ida a essas instituições, são aplicados os conceitos do treinamento Máxima Velocidade e cadastrados jogadores para que se tornem Membros de Elite da Nike, disputem o torneio e tenham acesso ao mundo dos profissionais com Nike Futebol+.
Aos poucos vão chegando outros garotos, alguns afoitos, com a carteira de identidade na mão. Uma pequena torcida se acomoda nos “degraus” do morro que dá para o campo, feita especialmente de meninas e mulheres que jogam no Aristocratas.
Lá embaixo, uma rodinha de garotos que aguardam o cadastramento “tiram” o volante “multiuso” Rafael Bento, 17, com muitas risadas e bom humor. O motivo: a história de uma caneleira feita de garrafa PET, papelão, fita adesiva e elásticos.
“Não tinha dinheiro para comprar e precisava de uma para poder jogar. Então, eu mesmo fiz em casa. Cortei a garrafa no formato e coloquei um papelão embaixo para não machucar a perna. Quando o juiz viu, não acreditou. Mas ele bateu na minha perna, ouviu o “toc toc” e me deixou jogar. Os caras ficam me tirando, mas ficou da hora. Eu jogo com ela até hoje”, contou Bento. Pena que não estivesse com ela para nos mostrar como ficou...
A historinha de Bento resume bem a força de vontade dos garotos e do técnico João para continuarem fazendo história com o Aristocrata. Muitos dos que estavam ali conseguiram dispensa do trabalho para não perder a oportunidade de participar do treinamento e disputar o torneio.
Outros sonham em conseguir a “grande chance” e seguir carreira com o futebol e se profissionalizar. Como no caso de Ruy Nerjes da Silva Barberiano Júnior, 18. O volante veio da Bahia há pouco mais de um ano, onde jogava no Vitória, para tentar ser jogador em São Paulo. Fez um teste na equipe Sub-20 de um time da Baixada Santista e aguarda ser chamado.
“Falta dinheiro para eles me manterem no alojamento. Por isso, estou com parentes que moram aqui no Grajaú e, para não perder a forma, treino aqui com o João, que me acolheu e me ajuda muito”, disse Júnior (ele é o que aparece em primeiro plano na foto acima).
No campo de terra irregular, a bola corre rápido e muitas vezes quica em vez de rolar, o que dificulta o seu controle durante o Desafio da Velocidade, que elege o atleta mais rápido de cada escola.
Mesmo assim, o tempo de atletas do Aristocrata no desafio de velocidade não deixa a desejar em relação aos que foram medidos em vistas a outras escolas. Três deles se superaram e fizeram o exercício em menos de 19 segundos, o que até então não havia acontecido.
Com 18 segundos e 75 centésimos, o meia-atacante Saulo Silva Marçal, 20, alcança a melhor marca da primeira semana de treinos, o tempo a ser batido. O que vai dizer quando chegar em casa? “A minha mãe vai ter a oportunidade de poder falar bem de mim para os outros...”
Ao longo desse mês, vamos acompanhar treinamentos em escolas e clubes que vão participar da Nike Cup, contando algumas histórias de jovens atletas que, independentemente da origem e de onde jogam, sonham com a mesma coisa: fazer história com o futebol e repetir seu ídolos que hoje jogam em clubes e na Seleção Brasileira. Acompanhe a gente nessa jornada.
Veja as fotos que fizemos da blitz no Aristocrata.
ESCREVA O FUTURO.
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Caneleira de garrafa PET
03 Abril 2010
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